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Resenhasquarta, 27 de agosto de 2008

Libris Mortis: The Book of Undead

O Livro dos Mortos-Vivos

Libris Mortis: The Book of Undead
D&D 3.5
Wizards of the Coast
192 págs. cor, capa dura. Inglês - U$ 29,95
Qualquer personagem de RPG que se preze já enfrentou algum tipo de morto-vivo em suas aventuras, pelo menos uma vez. Desde um mero esqueleto em um cemitério abandonado ou um poderoso lich em sua fortaleza forrada de perigos e armadilhas.

Mortos-vivos são oponentes versáteis nas mãos de Mestres com boas idéias. Existem cenários que dependem completamente da existência de mortos-vivos e o impacto deles no mundo (como Ravenloft, por exemplo). Sabendo disso, a Wizards of the Coast lançou Libris Mortis: The Book of Undead, dedicado totalmente a este tipo de criatura. O livro é o segundo de uma linha focada em monstros específicos para o jogo (o primeiro foi Draconomicon, dedicado aos dragões).

Libris Mortis começa mostrando o que é um morto-vivo, suas possíveis origens, aspectos de sua “fisiologia”, psicologia e contato com a sociedade (inclusive quando eles tem sua própria sociedade ou algo parecido). Também apresenta novos deuses relacionados com mortos-vivos. Apesar disso, as informações contidas em Libris Mortis são curtas e superficiais (se comparado com Draconomicon).

O forte do suplemento são as novas opções para personagens, sejam eles do Mestre ou de jogadores. A parte de regras e adições para o sistema fornece inúmeros elementos capazes de transformar um mortovivo em um oponente formidável ou um personagem jogador em um verdadeiro caçador de fantasmas.

Aqui a morte é o menor dos problemasOs novos talentos do livro são poderosos tanto para os que combatem mortos-vivos quanto para os monstros que eles caçam. Talentos como Sacred Vitality, que tornam o personagem imune a dreno de energia (por apenas um minuto, desde que ele gaste um uso do poder da fé). Os monstros também têm a sua vez com Contagious Paralysis, onde quem tocar uma vítima paralisada (pelo ataque de um carniçal, por exemplo) também pode ficar paralisado. Um grupo pode se surpreender ao encontrar um vampiro com Endure Sunlight, que permite a ele resistir aos efeitos da luz do sol por algumas rodadas.

Além dos talentos, o livro apresenta classes de monstros para os mortos-vivos, muito parecido com o que já tinha sido mostrado em Savage Species. Também tem algumas considerações sobre como se levar uma campanha com personagens de jogadores mortos-vivos, em diversos níveis diferentes. As classes de prestígio são voltadas também para os monstros e seus caçadores. Algumas são revisões de classes que já apareceram, como o Mestre da Mortalha (Master of Shrouds) e o Necromante Verdadeiro (True Necromancer).

Magias e equipamentos novos podem ser considerados dois dos melhores capítulos. Algumas magias são horrendas, de virar o estômago, ideais para os vilões da campanha que o Mestre deseja tornar memoráveis. As novas criaturas e modelos são bem aproveitados. Suas fichas usam as novidades mostradas no livro, funcionando quase como um exemplo de como usufruir as regras novas.

Libris Mortis termina com um capítulo dedicado a campanhas, cheio de considerações a respeito de como usar mortos-vivos em uma campanha e as conseqüências e detalhes a se pensar. O mesmo capítulo ainda traz exemplos de vários mortos-vivos, prontos para uso (sabe, aqueles que o Mestre precisa criar usando um modelo, como vampiros, esqueletos, zumbis etc.) e alguns exemplos de cultos e lugares que podem ser colocados em campanhas e aventuras, tudo com relação aos mortos-vivos.

No geral, é um bom livro, com muita coisa legal para quem curte mortos-vivos ou simplesmente quer evitar aquele olhar dos jogadores de “ah, é só outro carniçal…”. O visual segue o padrão da Wizards of the Coast, com excelentes imagens, lembrando um pouco o estilão do Book of Vile Darkness com coisas nojentas aqui e ali. Algumas ilustrações repetidas também aparecem (assim com classes de prestígio e modelos tirados da Dragon Magazine), mas não diminuem o valor do livro.

Libris Mortis não é tão bom quanto o seu antecessor dracônico, mas também não faz tão feio (além de ser um pouco menor e mais barato). Ele se concentra em oferecer mais opções para Mestres e jogadores do que aprofundar a parte de interpretação ou explicações sobre os mortos-vivos. Talvez essa seja a tendência da linha, em não colocar comentários definitivos sobre essa ou aquela criatura, mas deixar aberto para que os Mestres (ou jogadores) encaixem melhor no seu cenário ou campanha. Afinal, o acessório é para servir em qualquer tipo de cenário.

Rogério Saladino