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Resenhasquarta, 27 de agosto de 2008

The Book of Iron Might

Socando seus inimigos com estilo

The Book of Iron Might
Sistema d20
Malhavoc Press
64 págs. P&B - livro ou pdf - US$ 13,99
Você já tentou acertar uma flecha no olho central de um beholder para anular o raio anti-mágica, se viu cercado de orcs tentando rodar seu machado freneticamente para acertar o máximo de alvos possíveis ou ainda simplesmente quis jogar areia nos olhos do troll que vigia uma ponte para passar despercebido?

As regras tradicionais do D&D não contemplam esses comportamentos. Um ataque contra o beholder é um ataque, você não tem como mirar naquele olho gigantesco para que o mago possa lançar tranquilamente suas magias. Quando cercado de orcs, você continua sendo obrigado a escolher um para atacar enquanto todos os outros o flanqueiam.

E quanto à areia no olho do troll? Talvez uma boa conversa com o Mestre resolva. A falta de regras claras para estas situações acaba tornando os combates, de certa forma, repetitivos. Todos os ataques são iguais e a única esperança para o guerreiro é derrubar o oponente antes que este o derrube. Ou melhor, era.

O mais recente livro de classes da Malhavoc Press, The Book of Iron Might, segue a linha de seus antecessores, Books of Eldritch Might e Books of Hallowed Might trazendo não apenas novidades, mas apresentando idéias que podem quebrar a monotonia do jogo.

O primeiro capítulo trata exatamente de manobras de combate. O sistema é bem simples: escolha o que você quer fazer, encontre o efeito que reflete isso, decida o que acontece com o atacante e, a partir disso, determine as desvantagens da manobra; calcule a penalidade no ataque e a manobra está pronta. O livro traz algumas manobras prontas que são bem interessantes, além de explicar, passo-apasso como criar novas manobras.

A recomendação é que se planeje com antecedência, criando uma espécie de “golpe característico” do personagem, mas nada impede que, em um momento de apuro, uma manobra específica para a situação seja adicionada. Os ironborn, uma raça inteligente semelhante aos golens, são mostrados no segundo capítulo. Eles não recebem as caracteríticas de construtos, como imunidade a efeitos mentais e resistência à magia, mas existem alguns talentos próprios da raça que permitem emular alguns destes traços. O curioso desta raça é que, por serem criados para desempenhar funções específicas, dois ironborns podem ser completamente diferentes. Tudo depende do pacote de habilidades escolhido.

O terceiro capítulo apresenta novos talentos separados em três categorias: Arcane Battle, Battlemind e Fighting Style. No primeiro grupo encontram-se manifestações mágicas que, não necessariamente são feitas por magos ou feiticeiros. O segundo grupo reflete o conhecimento e a experiência adquiridos no campo de batalha, envolvendo elementos como intimidação durante o combate, a capacidade de manter-se calmo frente ao perigo, bem como a perspicácia de encontrar as fraquezas do oponente.

Como os Ancestor Feats apresentados no Oriental Adventures e o Talents do Arcana Unearthed, os Fighting Style Feats apresentados no livro são talentos que podem ser selecionados apenas no primeiro nível do personagem. Estes talentos privilegiam uma forma de combate, seja a esgrima, o combate desarmado ou a arquearia, oferecendo alguns bônus e movimentos especiais para o personagem.

O último capítulo lida com o aspecto mais cinematográfico do jogo. São descritas formas de utilizar as perícias como Escalada, Salto e Concentração durante o combate. Novamente, o autor inova mostrando que existe muito mais no combate do que avançar e atacar.

Uma peculiaridade deste livro é a ausência de classes de prestígio e itens mágicos. Isso não chega a ser um ponto negativo, pois inúmeros outros livros tratam destes dois assuntos. Em contrapartida, alguns fatores preenchem esta lacuna, como efeitos mágicos acessíveis até para guerreiros de nível baixo e o sistema de manobras, que permite criar movimentos característicos para o personagem.

Quanto à apresentação do livro, temos um ponto muito positivo: o apelo visual da Malhavoc Press. Em vez de tentar emular as capas da Wizards of the Coast, a editora do Monte Cook criou uma identidade nas capas, de forma que é fácil reconhecer os livros. A arte interna é muito boa, um destaque especial para o britânico Kev Crossley, cujas ilustrações têm uma dinâmica bem interessante.

Comparando a diagramação dos livros mais antigos da Malhavoc, como o Book of Eldritch Might, com os trabalhos mais novos, Chaositech e Book of Iron Might, é visivel um avanço tanto na diagramação quanto na arte interna. Novamente, a editora de Monte Cook se mostra uma promessa para o futuro do Sistema D20.

Pedro Ivo Braun Ferreira