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Chefe de fasequarta, 27 de agosto de 2008

O exército do Brilho Divino

Nem sempre é bom seguir a luz no fim do túnel

Pluigh era um fogo fátuo como qualquer outro. Alimentava-se das emoções dos que conseguia atrair para o pântano. Com sua forte luz, ludibriava suas vítimas que então eram tragadas pelo charco. O medo resultante da experiência era como um banquete para a criatura. Com o tempo, os viajantes que atravessavam o pântano aprenderam o truque da vil criatura luminosa. O engodo usado por Pluigh se tornara obsoleto e sua fome crescia a cada dia. Para manter-se vivo, resolveu agir diferente. Rondou pelas redondezas e achou uma tribo de orcs vivendo no lugar. Sabia que aqueles humanóides grotescos obtenham comida, bens e riquezas usando a sua maior habilidade: a luta.

Com essa consciência, Pluigh esperou até que a tribo seguisse para um assalto de pilhagem e os acompanhou usando sua invisibilidade. O fogo fátuo presenciou uma adorável batalha entre os assaltantes raivosos e os habitantes do pequeno vilarejo. Morte, pânico, violência e terror eram sentimentos saborosos para a criatura. Agora podia se fartar sem gastar sua própria energia. Usava seres inferiores para satisfazer suas vontades. Mas, sua alegria durou pouco. A fúria dos orcs e desprezo pela vida alheia alertou heróis. Em outra investida da tribo selvagem, uma emboscada foi montada para rechaçar os assaltantes. Paladinos e seres celestiais luminosos conseguiram surpreender os monstros.

O fogo fátuo se viu em uma situação difícil. Os orcs estavam sendo destruídos, estragando seu plano. Quando já havia perdido as esperanças, o sabor de um sentimento novo tocou seu paladar: o espírito de luta dos heróis investindo contra os orcs. Era o paladar mais soberbo que já experimentara! Pluigh observou a luta e percebeu que os celestiais tinham um aspecto muito semelhante ao seu. Pequenas esferas luminosas que se acumulavam em volta do inimigo e descarregavam rajadas certeiras, fulminando o alvo. Seres leais e corajosos.

Sabendo que sua índole perversa poderia chamar a atenção dos celestiais, o fogo fátuo usou de seu maior blefe para esconder seu lado vil. Pluigh saiu da invisibilidade, se inflamou com a luz mais forte que pôde e começou a atacar os orcs com fúria, ajudando os arcontes luminosos.

Ao final da batalha, apresentou-se como um errante a serviço do bem, um ser igual aos seus “irmãos” arcontes luminares. Contou que havia sido enviado por divindades para guiar seus iguais em lutas sagradas. Pediu então a ajuda dos celestiais e os nomeou como o Exército do Brilho Divino.

Hoje em dia, Pluigh guia 13 desses seres e imbue a eles buscas e missões “divinas” que, segundo ele, recebe diretamente das entidades superiores. Essas mentiras os fazem atacar tanto monstros quanto inocentes, pois sua obediência cega faz com que nunca questionem as ordens de seu mestre.

Pluigh, superou suas próprias expectativas. O vigor de luta dos arcontes e seu entusiamo na batalha contra o que achavam ser o mal, davam ao fogo fátuo a satisfação de saciar sua fome com o mais delicioso dos sabores.

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