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Game Designquarta, 27 de agosto de 2008

Colcha de Retalhos

Raças não-humanas. Famílias de deuses. RPG e Mangá. Coisas misturadas. Por que elas funcionam?

Tormenta completou sete anos em 2006. Seu primeiro livro básico foi um brinde comemorativo da revista Dragão Brasil 50, em maio de 1999, durante o Encontro Internacional de RPG. 550 cópias da revista foram vendidas no estande da editora durante aquele fim-de-semana - sendo possivelmente, corrijam-me se estou errado, o produto individual mais vendido até hoje em um evento de RPG no Brasil.

Como muitos sabem, aquele primeiro livrinho nasceu de uma reunião entre seus inventores: Mauro Trevisan, Rogério Saladino e eu. Muitos de vocês já conhecem os detalhes. Uma reunião em meu apartamento, uma gata branca sem nome pisando nas revistas (tem gente acreditando que essa gata vive até hoje…), Coca-cola com pão de torresmo… e as bases fundamentais de Arton.

Tormenta cresceu, foi bem-sucedido, e ainda per­manece como o maior e mais querido cenário de RPG feito por brasileiros.

Como tudo que faz sucesso, foi amado e também odiado. Seus detratores, sem nada muito mais concreto para dizer, gostam de bradar que o cenário é uma “colcha de retalhos”.

Apesar de pejorativo, é verdade.

Uma vez que Tormenta seria o “cenário oficial” da Dragão Brasil, decidimos pesquisar em materiais já publicados na revista aqueles que poderiam fazer parte do novo mundo. Personalidades como Mestre Arsenal, Lorde Enxame, Raven Blackmoon, Odara, Katabrok e outros ganharam uma casa. Lugares como Triunphus, Malpetrim, Sambúrdia e Vectora agora estavam no mapa. Khalmyr, Nimb, Thyatis e outros fariam parte de um panteão.

A grande vantagem nessa decisão foi que, mesmo recém-nascido, Arton já tinha um passado, já tinha materiais de referência. Tinha suas próprias aventuras. Havia boas ilustrações que podíamos reutilizar (nosso orçamento era apertado; não havia como pagar por imagens para livros inteiros). Claro, isso levou a uma diversidade extrema de estilos - do mangá de Erica Awano ao comics de Joe Prado.

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