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Resenhasquarta, 27 de agosto de 2008

O Livro dos Níveis Épicos

Indo além do 20º nível

Livro dos Níveis Épicos
D&D 3ª Edição
Devir Livraria
320 págs. Cor, capa dura - Português - R$ 82,00
O que acontece com um personagem além do 20º nível? Ele se torna uma lenda. Certo, e como é ser uma lenda? O que ele pode fazer? E o mais importante: como eu faço para jogar com uma lenda?

O Livro dos Níveis Épicos mostra como progredir seus personagens de D&D, acima do 20º nível. E não é só uma nova progressão de bônus ou talentos novos, mas um estilo completamente diferente nas campanhas e aventuras.

O termo “épico” se refere a qualquer elemento de jogo utilizado especificamente para campanhas ultra-poderosas, com personagens de jogadores com 21 níveis ou mais, capazes de feitos inacreditáveis. Uma campanha épica é bem diferente das “comuns”, porque para personagens com essa escala de poder, nem mesmo um dragão antigo é um desafio digno.

No primeiro capitulo, o LdNÉ traz as regras básicas, como as mudanças na progressão dos bônus de ataque, resistência, quantidade de perícias etc. Depois, mostra como lidar com as habilidades das classes além do 20º nível. Todas elas (inclusive as de Prestígio trazendo atéa algumas novas).

Curioso notar a inclusão das classes Psíquico e Guerreiro Psíquico, do Expanded Psionics Handbook, livro que traz poderes mentais para o D&D (sem versão em português).

Em seguida, temos a descrição do que é possível fazer com resultados altíssimos de algumas perícias. Em alguns casos, é possível nadar cachoeiras acima com Natação ou usar Equilíbrio para andar sobre água ou nuvens! Os talentos não ficam muito atrás. Só para ter um exemplo: com Ataque Vorpal, é possível decapitar um inimigo com um ataque desarmado! Mas os pré-requisitos são… épicos! Alguns merecem menção, como é o caso dos talentos épicos de criação de itens, que permite a criação de itens mágicos com bônus acima de +5.

Anão épico: nem pense em chamá-lo de tampinha!Logo em seguida, temos as Magias Épicas, tão difíceis de serem lançadas que o personagem precisa de um talento especial (Conjuração Épica) e de um sucesso em um teste de Identificar Magias, com a CD variando de acordo com o feitiço escolhido. Aqui há uma grande sacada: não são mostradas apenas as magias possíveis, mas também a fórmula para fazê-las. Pode-se estudar como criar um feitiço, selecionando seus elementos e efeitos, o que aumenta ou diminui a dificuldade do teste de Identificar Magia.

Alguns dos exemplos possuem a CD tão alta que até mesmo alguns deuses não conseguem lançá-las! Nem mesmo Boccob, deus da magia do mundo de Greyhawk (usando as estatísticas mostradas em Divindades e Semideuses) poderia lançar a Contemplação Divina da Vingança, com a sua singela CD 419!

O restante do livro se dedica mais ao Mestre do que ao jogador, abordando como se faz uma campanha épica, com considerações e regras, sugerindo até mesmo 100 ganchos para aventuras.

Como não podia deixar de ser, temos logo a seguir os itens mágicos épicos. Vários deles possuem bônus e habilidades acima do normal (+5 ou mais) ou propriedades que simulam magias de nível alto. Há também os artefatos, onde figurinhas carimbadas da primeira e da segunda edição reaparecem, como o Machado dos Senhores Anões, o Anel de Gaxx e o Códice dos Planos Infinitos.

A parte de criaturas e monstros épicos parece ter saído de um pesadelo. As criaturas com ND mais alta da história estão nela. Um novo tipo de criatura é introduzido: a Abominação, o resultado falho da união de divindades. Há monstruosidades praticamente impossíveis de serem derrotadas! Que tal o hecatônquiro, uma coisa com uma infinidade de braços, que pode fazer 100 (isso mesmo, CEM) ataques em uma mesma rodada? A boa notícia é que ele não consegue usar todos os ataques no mesmo alvo…

Só para citar uns exemplos, temos os colossos (versões beeeem maiores de golens) e duas novas raças de dragão: de energia e prismático (o grande ancião desse último é o monstro com o maior ND, 66!). Para quem gosta de monstros realmente estranhos temos as criaturas pseudo naturais, o uvuudaum e o verme ambulante.

Como mestrar uma campanha épica não é nada fácil, o livro traz exemplos para ajudar o Mestre interessado com organizações e um cenário pronto.
O livro termina com fichas de personagens épicos famosos do mundo de Forgotten Realms (como Elminster e Halaster), do mundo-padrão de Greyhawk (como Mordenkainen e Lorde Robilar) e um apêndice com listas de NPCs épicos, seguindo o padrão do Livro do Mestre.

O Livro dos Níveis Épicos original saiu ainda na edição 3.0, antes das modificações da edição 3.5, mas logo em seguida a Wizards lançou um manual de conversão para as novas regras. A versão brasileira do LdNÉ já traz um apêndice justamente com esse manual de conversão.

Junto com os básicos e o Divindades e Semideuses, o LdNÉ completa a linha de progressão de personagens do primeiro nível até deuses. Não é exatamente imprescindível, mas é um tremendo livro. Afinal, um dia todos os jogadores chegam no 20º nível…

Rogério Saladino