De olhos bem abertos
Mangá e Anime nem sempre são coisas de criança

O preconceito contra o RPG tem sido um tema recorrente nos últimos meses, devido aos acontecimentos infelizes ocorridos tanto no EspÃrito Santo, recentemente, quanto em Minas Gerais, já há algum tempo (e, não… não vou ficar comentando sobre esse assunto para não jogar mais lenha na fogueira). Vários jogadores mais alarmistas levantaram bandeiras, organizaram campanhas, mandaram e-mails preocupados para dezenas de fóruns, listas de discussão e outros canais de divulgação do hobby. Tudo isso temendo uma discriminação aos jogadores, proibição da venda de livros e outras tragédias.
De certa forma, esse tipo de atitude até que é legal. Mostra uma união da “categoria”. Deixa evidente o amor que temos ao nosso passatempo predileto e a vontade de continuar essa atividade em paz. A coisa só não é perfeita porque o próprio jogador de RPG se mostra, em muitos aspectos, também preconceituoso, teimoso e resistente a mudanças.
E o principal alvo disso são os mangás, animes e outras manifestações pop de cultura nipônica.
Para o jogador (ou Mestre) tradicionalista, misturar RPG com este tipo de arte (e aposto que alguns de vocês sentiram um frio na espinha ao ler a palavra “arte” há menos de dez páginas de distância da palavra “mangá”) é macular o jogo. É quebrar a atmosfera e imbecilizar o que de outro modo seria a manifestação plena de um jogo inteligente que estimula a criatividade e a interpretação. Talvez eu até tenha exagerado numa tentativa de ilustrar de modo ainda mais drástico meu raciocÃnio, mas podem ter certeza de que a verdade não fica muito longe disso.
Sei disso, porque durante muito tempo fui adepto deste tipo de pensamento.
Fui daqueles que tinham alergia a mangá e correlatos (e, nessa fase, a gente faz questão de ignorar o fato de que cresdos mais nobres, mas sempre existe). Desta forma, deixei um pouco de lado meu preconceito e passei a pedir indicações de animes e mangás que, pela temática, pudessem me interessar.
A primeira série a vencer a barreira que eu mesmo havia estabelecido foi Record of Lodoss War. Não foi difÃcil perceber que, apesar da estética, a temática e o estilo da história seguiam a mais básica da cartilhas do que seria uma boa aventura de D&D (meu sistema favorito hoje e sempre). Depois veio Evangelion, com seus robôs gigantes, personagens cheios de dilemas e roteiro complexo, repleto de referências. Mais tarde, encarei Berserk, Full Metal Alchemist e muitos outros.
Mas, no final das contas, foi meu amigo e companheiro de trabalho Marcelo CassaÂÂro e a “pequena notável” Erica Awano que me fizeram mudar de idéia. Mesmo que talvez nem soubessem disso.
Os quadrinhos de Holy Avenger me mostraram definitivamente que o uso da estética e estilo do mangá não implicavam necessariamente em uma obra digna dos defeitos que eu antes vinculava ao gênero sem nenhuma restrição. Mais do que isso: em Holy, vi meus personagens serem transformados em bonecos de cabeça grande e olhos arregalados. MEUS PERSONAGENS!!!!
E, quer saber? Ficou muito bom. Muito melhor do que eu jamais havia imaginado. O estilo dos desenhos ou até mesmo a linguagem utilizada eram apenas detalhes dentro de um história fascinante, muito bem contada e executada de maneira brilhante.
O ponto onde quero chegar é que muita gente, muito jogador culto, inteligente e de bom gosto acaba perdendo uma boa história, matéria ou desenho animado justamente por manter o preconceito contra o visual dos mangás e animes.
É lógico que alguns destes desenhos e quadrinhos realmente contribuem para a tal má fama. Em geral, são os Pokemóns e Dragonballz da vida. Mas será que alguém já parou para pensar que essas produções foram feitas para agradar garotos de 7 a 12 anos e não jovens adultos como nós?
É normal que toda mÃdia tenha seus “ovos podres”. Adoro os quadrinhos americanos, mais tradicionais, mas seria muita ingenuidade minha achar que todas as publicações do estilo são ótimas. Acusar algo de ser ruim só porque é mangá é o mesmo que dizer que todas as histórias produzidas na Inglaterra são fantásticas só porque caras como Alan Moore e Warren Ellis nasceram na terra da Rainha. É generalizar. E fazer isso é sempre sinal de estupidez.
Ninguém tem obrigação de gostar de tudo, mas toda e qualquer obra merece o benefÃcio da dúvida.
Antes de criticar qualquer coisa pela aparência é sempre bom avaliar o conteúdo (e não sou eu quem está dizendo isso. Sua mãe provavelmente já te deu o mesmo conselho eras atrás). Com mangá é a mesma coisa.
Só para começar, tente reavaliar suas opiniões usando a DragonSlayer mesmo. Leia a matéria sobre Moreania com calma. Depois tente o terceiro episódio de Dragon’s Bride. Você pode estar perdendo muita coisa legal por puro preconceito…
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Edição #14
God of War: Tudo para você também derrotar o Deus da Guerra!
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